domingo, 21 de dezembro de 2008



em meus momentos de silêncio


em meus momentos de silêncio,

minhas vontades oscilam entre
sentimentos, sensações e emoções
muito diferentes... mas sempre
quando acordo penso em você
aqui, trabalhando...

muitas vezes penso em você com
aquela carinha cansada, abatida...
e então tenho uma vontade sôfrega
de me aproximar e abraçar apertado...
de aninhá-lo em meu colo...
de poder confortá-lo... de fazer carinho...
de tomar seu cansaço pra mim...
de fazer você sentir que
estou ali, junto de você,
como se isso pudesse,
de alguma maneira,
dar forças ou melhorar seu ânimo...

outras vezes imagino sua cara de zanga
aborrecido com coisas que não dão certo...
com vontade de jogar tudo pro alto e
sair correndo pedalando pela estrada
sentindo o vento no rosto...
fazendo parte da única coisa
que realmente importa,
que é ser livre... ser apenas gente...
e então poder sentir a vida...
sentir a terra, o ar...
e tudo o mais que isso significa...
mas isso a gente sente quando
nossos pensamentos vão à exaustão...
como se parássemos de pensar como um,
e passássemos a ser apenas parte do
todo, do universo...

em tantas outras vezes penso em você sozinho...
num deserto de sensações,
e tenho vontade de abraçá-lo forte...
de sentir sua pele na minha...
de experimentar seu gosto...
de me queimar em você...
de poder aspirar seu cheiro...
e de tomá-lo pra mim...
de poder ter um momento
de me encaixar em seus braços
de saciar minha fome...
de me acabar de prazer...
num momento sem fim...
sem início... êxtase puro...
como se fosse a única coisa real...
e tudo mais não existisse...

Acordei cedinho hoje...
e fiquei aqui "observado" você, até que se foi...
tinha vontade de conversar...
mas sei que preciso atrapalhar menos...
então em vez de pular em cima de você pra dar bom dia...
achei que seria melhor falar assim... baixinho no ouvido...
que apesar da distância e da ausência física,
você me tem por completo e pode contar comigo...
e também dizer que te gosto bastante,
apesar de te pentelhar demais... rsrsrs
(eu só incomodo as pessoas de quem gosto muito, porque acho
que somente elas conseguem sentir de verdade meus sentimentos
e são capazes de relevar minha maneira tortuosa de demonstrar meu afeto)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Recomeçando...

Estou sempre recomeçando...

Sempre fui fascinada por arte... arte de um modo geral...

Fascinada por apreciar o que não é meu, mas que entra pelos poros como se de mim fizesse parte... Tímida em me expressar... receosa de ter meus sentimentos e minhas emoções devassados... talvez medo de ser eu mesma, mais para mim que para os outros... sentimentos estranhos de ter a alma desnuda e todos os mistérios revelados, e não sobrar nada que seja apenas meu e para os meus...

Incluo em arte várias coisas, mas minha primeira paixão foi pelas letras...
Letras, em sua acepção mais abrangente, os escritos... e letras em sua acepção mais literal, esses simbolozinhos rabiscados, desenhados, tão cheios de significados, curvas, ângulos... tão diferentes entre si, mas que juntos sustentam a harmonia da alma humana traduzida em verso e prosa...

Em mais uma madrugada insone, foi esse assunto que preencheu a mente vazia... minha paixão eterna pela leitura e escrita... e que, inexplicavelmente, deixei de lado nos últimos tempos...
Meu vazio de alma traduziu-se em uma patética verborragia de silêncios... e eu fiquei pensando que, talvez, a fonte interior tenha se esgotado, por um ou outro motivo, ou simplesmente porque tudo que começa acaba... tudo tem princípio meio e fim... e eu, enfim, não tinha aqui dentro coisas suficientes pra sustentar minha vida por muito mais tempo... O que antes fluía e até jorrava com confortável facilidade, hoje tornou-se algo doloroso e sofrido...

O fato é que eu não sei mais escrever... ou, melhor, não tenho mais nada a dizer sobre nada... sobre ninguém... Ultimamente apenas sinto... e sentir tem sido bom e ruim... tem me elevado ao céu e me jogado ao inferno...