- TU ÉS UMA BRUXA!
Essa frase ficou dias, semanas, meses, anos soando em minha cabeça...
"TU ÉS UMA BRUXA!", pronunciada assim, com letras maiúsculas, frase exclamativa, forte e definitiva.
Naquela época deveria ter soado como ofensa, mas não foi assim... as palavras ficaram ricocheteando confortavelmente em minha mente, como um carinho delicado...
Lembro de ter guardado comigo, com algum temor, a sensação estranha mas gostosa que as palavras me causaram, sem entender bem ao certo do porquê a ofensa ter me feito bem.
Por muito tempo eu me senti apartada das pessoas e do mundo sem entender... as diferenças tão evidentes não eram nada evidentes e a sensação de estranheza, de não pertencer ao mundo das pessoas era algo incômodo. Mas só até ali.
- TU ÉS UMA BRUXA!
Aquele momento foi um momento de libertação, foi o momento de entender que somos muito diferentes, mesmo dentro do que somos tão iguais. Momento também de entender que as pessoas tentam sempre destruir o que não compreendem, por puro medo.
Provavelmente até ali eu me sentia assim: a que todos tentavam destruir.
Durante a Idade Média as Bruxas foram transformadas em seres do mal, perseguidas pela sabedoria que tinham e usavam em prol das pessoas, quer fosse por meio de conselhos ou do uso de ervas curativas. As Bruxas eram mulheres solitárias, normalmente respeitadas - e ao mesmo tempo temidas - pelas comunidades. A transformação se deu pela necessidade da Igreja de encontrar demônios tangíveis para mostrar ao povo e, com isso, revestir-se de poder. Afinal, se a Igreja podia subjugar o poder das respeitadas bruxas, com certeza havia com ela um poder maior.
Enfim, ser bruxa só é ruim para quem não tem alma de bruxa...
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